Nossos perrengues de viagem em família

Nossos perrengues de viagem em família

11 ago 13
Nossos perrengues de viagem em família

Desde que as blogueiras Cláudia Pegoraro e Sut-Mie Guibert começaram a discutir este tema para a blogagem coletiva eu comecei a viajar nas memórias de viagem.

Fiz uma jornada mental pelos muitos dos sufocos e apertos que já vivemos: intoxicação alimentar, vôos perdidos, paramédico na saída de brinquedo, malas extraviadas, overbooking, navio à deriva, picadas de animais, carros quebrados, bronca da polícia, consultas médicas

Tudo pareceu muito engraçado, já que estou pensando neles sentada aqui em casa, bem confortável, tomando meu café com leite.

Nesta viagem das memórias deu até para calcular o IPD (=Índice de Perrengue por Destino) e saber qual é o campeão na nossa família: deu Chile,  disparado!

Quantos sufocos podem acontecer em uma viagem internacional de 5 dias? E se forem duas famílias? Perrengues dobrados? Vambora viajar pelos 4 apertos de uma mesma viagem?

Cena 1: Convidamos os vizinhos para uma viagem. Serão 2 casais com 3 crianças pequenas. Destino: Santiago, cidade “fácil e segura”. A mãe convidada comenta que está pensando em levar feijão porque a filha tem o hábito de comer diariamente. O comentário passa despercebido. Durante o vôo, a mãe convidada dorme e o marido dela preenche os papéis do (rigoroso) controle sanitário. Ele pergunta para a anfitriã (eu!) se há algum detalhe a tomar cuidado. Minha resposta: responde não para todas as perguntas, claro!

Resultado 1: Duas mamães retidas por 3 horas na fiscalização de controle sanitário do aeroporto por tentarem entrar com feijão in natura e dentes de alho. Horário? O pior para crianças: das 20 às 23 h. Muitos papéis preenchidos, pedidos de desculpas em vários idiomas, criança com fome, outra que cai do carrinho e maridos esperando do lado de fora porque o documento estava em nome da esposa e eu estava como intérprete. Éramos somente nós, as crianças e a fiscalização. Depois de muito blá-blá-blá, a multa de quase 500 dólares não foi aplicada. Feijão e alho confiscados e destruídos.

Deus foi bom 1 vez: falamos a verdade, nada além da verdade, e o agente sanitário nos perdoou, apesar da minha vizinha ter ficado fichada no aeroporto.

Lição aprendida 1: Quando eu convidar alguém para viajar para um destino onde tenho experiência, devo prestar muita atenção no que os convidados falarem. Não respondei nada “em automático”.

Cena 2: As duas famílias decidem fazer um passeio até Viña del Mar para os pequenos experimentarem as águas do Pacífico. Um chileno que está diariamente no flat oferece o transfer e nós aceitamos por já estarmos familiarizados com o vai e vem diário da van.

Resultado 2: A van apresentou problemas quando estávamos a 15 minutos de voltar para Santiago. O motorista forçou o motor, apesar de já ter tentado resolver o problema em um posto de gasolina e pedido “socorro” para amigos via telefone. A van segue, aos trancos e barrancos e, por fim, pifa de vez. Para nossa emoção, ela parou dentro do túnel que dá acesso ao centro de Santiago. O resultado foi que nós conseguimos criar um engarrafamento colossal. Descobrimos, ao vivo e em cores, que não há acostamento dentro do túnel. Isto aconteceu no pior dia e horário: sexta-feira às 17h30. Fomos xingados de muitos nomes, não sabemos exatamente o que significam, mas pareciam ser bem intensos.

Deus foi bom 2 vezes: O casal de convidados pediu carona e conseguiu um rapaz em um carro minúsculo para levá-los ao centro. Depois, duas senhoras tiveram misericórdia de nós e ofereceram carona. Elas também xingaram, mas no caso o alvo foi o motorista a quem chamaram de imprudente “y otras cositas más”. O Papai do Céu também nos livrou de sermos atropelados pelos ônibus que trafegavam em alta velocidade no momento da quebra da van, ou ainda, causar um engavetamento. Lembro de fazer orações desesperadas pela nossa segurança física.

Lição aprendida 2: Quando há crianças no passeio não vale a pena “arriscar” um transfer com um particular que não tem um nome a zelar. É mais seguro procurar empresas tradicionais que tenham algum tipo de suporte para imprevistos como esse.

Cena 3: As famílias fazem programas diferentes em determinado dia. Nós saímos para passear a pé e a família convidada vai para o shopping de táxi. Alertamos para sempre perguntarem o valor da corrida antes de entrar no carro, mas afirmamos que “os chilenos são de confiança” e que nunca tivemos problemas.

Resultado 3: Como não dava para dar o golpe do “valor final” que foi devidamente alertado, o taxista aplicou neles o golpe da “nota errada”. Trata-se de trocar rapidamente a nota recebida por uma de menor valor e afirmar para o passageiro que ele pagou a menos.

Deus foi bom 3 vezes: Nosso amigo absorveu o acontecido como uma exceção e fez um cálculo que deixava claro que não valia o stress. Assim como a esposa foi perdoada no aeroporto, ele também perdoou o motorista.

Lição aprendida 3: os taxistas podem ser bem criativos em seus golpes. Agora, além de procurar somente táxi oficial e pedir orçamento antes de entrar com a família, também farei como os caixas de bancos que contam notas em voz alta. Será?!

Cena 4: A filha do casal convidado sente mal no terceiro dia de viagem, aquele que interrompemos o trânsito do túnel. Febre alta e falta de apetite preocupam as duas famílias. Estaria ela com SFF? (=Síndrome da Falta de Feijão)

Resultado 4: Mesmo depois de muitos remédios e banhos, a febre não abaixa e ficamos preocupados em pegar um avião com a menina daquele jeito. Partimos para uma das muitas clínicas de atendimento imediato em Santiago. Em menos de 1 hora fomos atendidos com prestação de serviço eficiente e competente.  Recebemos uma prescrição e a orientação de acessar o resultado do exame via internet dentro de 3 horas.

Deus foi bom 4 vezes: O exame deu negativo para SFF e, com os  medicamentos devidamente comprados, nós rumamos para o aeroporto. Aviso a chefe de cabine do vôo da LAN que, muitíssimo compadecida, verifica de hora em hora se a menina está bem.

Lição aprendida 4: nunca, jamais, em qualquer hipótese devo viajar sem as medicações de costume da família. A farmacinha das crianças é uma das prioridades na viagem. Além disso, sempre viajar com cartão de assistência de saúde.

Moral da história? Passamos a régua e continuamos bons amigos e vizinhos. Eventualmente rimos juntos dos acontecidos. Há poucos dias jantamos na casa deles. Isso é prova que eles não guardaram “mágoa” pela viagem atribulada.

Perrengues são desconfortáveis, mas a maioria acaba trazendo lições preciosas. Não dominamos tudo, por mais planejados que sejamos. Encarar com bom humor os sufocos que passamos no destino faz com que o resultado seja positivo. Deus é sempre bom.

Um viva para os perrengues! Um viva para os limões que, na perspectiva correta, sempre se transformam em deliciosa limonada!

 

Leia também os perrengues de outras famílias viajantes:

Cláudia Pegoraro do blog Felipe o Pequeno Viajante

Karen Schubert Reimer do blog As Aventuras da Ellerim Viajante

Cinthia Rangel do blog Boa Viagem

Francine Agnoletto do blog Viagens que Sonhamos

Eder Rezende do blog Quatro Cantos do Mundo

Erica Kovacs do blog Viagem com Gêmeos

Debora Godoy Segnini do blog Gosto e Pronto

Ludmyla De Sena Broniszewski do blog Two Many Sides of Me

Renata Schiffer do blog A Renata teve infância e sabe ser feliz!

Andréia Mannarino do blog Mistura Nada Básica

Andréa Barros do blog Do RS para o Mundo

Andrea Martins do blog Malas e Panelas 

Aryele Herrera do blog Casa da Atzin

Flávia Maciel do blog Bebê pelo Mundo

Renato Martins do blog Renato Blogging

Sut-Mie Guibert do blog Viajando com Pimpolhos

Andreza Trivillin do blog Andreza Dica e Indica Disney

Debora Galizia do blog Viajando em Família

Thiago Cesar Busarello do blog Vida de Turista

Ana Cinthia Cassab Heilborn do blog Travel Book

Ingrid Patrícia Cruz do blog Viagens em Família

Michely Lares do blog Viagens da Família Lares

Karla Alves Leal do blog Cariocando por aí

Marcia Tanikawa do blog Os Caminhantes Ogrotur

Mônica Paranhos do blog Viagens em Família

Patricia Papp do blog Coisas de Mãe

Cynara Vianna do blog Cantinho de Ná

Cristiane Martins do blog Dias Viajando por aí

Guilherme Canever do blog Saiporaí

Paloma Varón do blog Viagens em Família

Vera Leitão do blog Mundo anfitrião

Miriam Vargas Nunes Neto do blog Clube de Viagens Mom

Flávia Peixoto do blog Viajar é tudo de bom

Daniella Sousa Reis do blog André e Dani + Pedro

Ligia Cantarelli do blog Sem vígula antes de etc

Luciana Bordallo Misura do blog Colagem 

Kelly Resende do blog Bebê Piccolo 

Susana Spotti do blog Viagem Simplesmente 

Thyl Guerra do blog Viajando com palavras 

Alexandra Aranovich do blog Café Viagem

Luísa Pinto do blog Diário da Pikitim

 

 

22 comments

  1. Francine Agnoletto

    Adriana….

    Engracado que eu achava que não tinha perrengue, começo a ler dos “colegas” e vou lembrando de outros acontecimentos, rsrsrs
    Também já fomos barrados em Santiago, por causa de uma macã. Agora é engraçado, mas na hora foi tenso demais, rsrsrs

    beijo, bom Domingo e Feliz Dia dos Pais, para o papai ai!

    Francine Agnoletto ( nunca mais esqueço o sobrenome, rsrsrs)

    • Adriana Pasello

      oi Francine! Pois é, o que foi mais chato neste caso é o fato deles serem nossos convidados para um destino vendido como “moleza”. Por que a gente foi abrir a boca?! rs Abração para vc e para o papai daí. Logo vou ler seu relato. bj

  2. Erica

    olá Adriana,
    Sufoco heim… eu também vou na médica antes e pego algumas receitas para fazer uma farmacinha.
    adorei o seu IDP. Acho que vc e a Cláudia são as mais fortes candidatas aos maiores índices!
    bjs e feliz dia dos pais por aí!

    • Adriana Pasello

      oi Erica! Vai ser difícil alguém com IPD mais alto do que a Cláudia. Ratos?! Não posso nem pensar neles! bjks e feliz dia para os pais da sua família tbém.

  3. Claudia

    Ah não! Eu achando que tava tudo ótimo até ler o comment acima! Mais uma falando de mim kkkkk!
    Adorei o IPD e a SFF!!! Como tu escreve bem!
    Eu já tive perrengue entrando no Chile tb! Vínhamos do Peru e eu trazia um monte de chá de coca, me tiraram tudo! Até aí, tudo bem, o problema foi quando quiseram confiscar o “cajado” (pedaço de madeira) que eu tinha usado de “muleta” pra fazer a trilha Inca! Fiquei hs batendo pé e já estava a fim de dar meia volta e voltar pro Peru, até que resolveram me deixar passar! Ah, mas o meu cajado eles não iam me tirar, era valor sentimental demais! Até hoje tá pendurado no meu escritório! kkkk
    Bjokas, adorei!
    Claudia@pequenoviajante

    • Adriana Pasello

      Pois é Cláudia, os chilenos seguem mesmo as regras! Agora, confiscar pedaço de madeira, essa é novidade para mim!!! bjks e adorei participar deste tema!

  4. Pamella

    Perrengues sempre fazem parte de qualquer viagem! =)

    • Adriana Pasello

      De fato! Só ficam mais difíceis de engolir quando acontecem com uma família convidada!!! rs

  5. Adorei esses perrengues!!!! kakakak
    Estou planejando uma viagem ao Chile para ano que vem e tb estava pensando em levar o feijão pra minha filha, mas acho mais fácil correr o risco dela sofrer de SFF viu?! rsrs
    Beijos

    • Adriana Pasello

      kkkk Ri muito do seu comentário Danila. Você viu que lá no grupo da Sut já foi discutido o assunto “feijão” ? Dá uma olhada pela lupa, há soluções!!!! kkk

  6. Levar feijão na mala foi demais… Se tivessem drogas na mala acho que teriam ficado menos tempo.
    Tanta coisa por causa de um pacote singelo de feijão… rs
    Abraço

    • Adriana Pasello

      Então Andreza, um hábito tão comum para nós, brasileiros, que representa um verdadeiro perigo policial se o destino for o Chile. O problema maior foi eu ter orientado o marido a responder “não” para tudo… Literalmente, viajei! bj

  7. Putz! Os chilenos e esse controle absurdo e assustador.
    Também já passei por poucas e boas, e ainda por cima de intérprete, assim como você.
    Estava em conexão para Punta Arenas, ainda bem que não perdemos o voo. Era um grupo de 15 chicas!!!!!!!!!!!!!!!! kkkk
    Beijos

    • Adriana Pasello

      Eles realmente levam as regras a sério Karla! bj

  8. debora

    Adriana,
    Que perrengue hein!!
    Mas o gostoso são as histórias que ficam para contar…
    Me diverti com suas histórias!
    bjs

    • Adriana Pasello

      Pelo menos servem para isso, Débora. Dar risadas depois… para você ver que tudo é uma questão de perspectiva! bj

  9. Olá Adriana,
    Estou aos poucos, tentando tirar o atraso de ler todos os perrengues das famílias. E cada vez que leio um post, lembro de outra situação bem similar…rsr… A SFF foi o máximo!!! O João chegou quase perto, pois também fomos retidos em uma das alfândegas pq ele não poderia ficar sem a aveia sagrada de todo dia…e ótimo também que as duas famílias passaram ilesas pelos perrengues. Alguns de nossos perrengues, que passamos com famílias não tão assim “bem humoradas” nos custou a amizade…
    Um grande abraço!
    Marcia

    • Adriana Pasello

      oi Marcia. De fato, apesar de tudo, o mais importante foi a amizade ter sido preservada. E, claro, as lições que aprendi com os perrengues! Bj

  10. Ai essa mania de brasileiro de querer levar feijão! rsrsrs ainda bem que vocês não precisaram pagar a multa, imagina, ia ser o feijão mais caro da história!

    • Adriana Pasello

      Certamente, Luciana. Seria o valor por kg mais caro de todos os tempos! rs

  11. Thyl Guerra

    Aos pouquinhos estou lendo todos os perrengues e não tem como não comentar. Adorei o IPD! rsrs E a sua forma de relatar os perrengues tb. Vou acompanhar o blog. Parabéns!
    Bjs
    Thyl
    @viajandpalavras

    • Adriana Pasello

      oi Thyl! Estou como você, lendo aos poucos… os perrengues estão aumentando mais rápido do que a minha velocidade para ler os relatos! rs Logo, logo chegarei no teu blog! bj

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>